Manual de Identidade Visual para Empresas (Guia Completo)

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Manual de Identidade Visual para Empresas (Guia Completo)

O desenvolvimento de um manual de identidade visual é um processo trabalhoso e detalhado, que pode englobar inúmeras normas, especificações e recomendações, a fim de garantir a correta aplicação de uma marca em diferentes situações.

Resumidamente, trata-se de um documento técnico que visa padronizar a aplicação dos elementos que formam a identidade visual de uma marca (símbolo, logotipo, cores, tipografia, grafismos, etc.), especificando e exemplificando tudo o que pode ou não ser feito com ela.

Pode estabelecer também normas para layout em diversos pontos de contato entre a marca e seus consumidores, conforme veremos mais adiante.

Se quiser saber mais sobre manuais e identidades visuais, confira os conteúdos abaixo:
– Por que a criação de identidade visual é fundamental para o sucesso da sua empresa?
– Manual de Marca: O que é e por que ele é tão importante para o seu negócio

Como deve ser um manual de identidade visual?

A verdade é que não existe uma regra para isso, sendo assim, o conteúdo que o manual deverá apresentar, a ordem das informações, a nomenclatura dos tópicos, o formato ou o tamanho adequado para o manual, bem como o número de páginas, irão depender das exigências de cada projeto.

Questões sobre as características visuais da marca e a sua demanda de aplicação (como, quando e onde ela será aplicada), são fundamentais para determinar a complexidade de um manual de identidade visual.

Por isso, alguns manuais têm menos de 10 páginas, enquanto outros mais de 100.

Por exemplo…

No caso de grandes empresas, que possuam várias unidades, filiais ou franquias, e que exijam uma comunicação interna e externa frequente com seus clientes, colaboradores e fornecedores, elas irão precisar de um manual de identidade visual bem extenso e suficientemente detalhado para agilizar os processos e conseguir manter a unidade visual em suas peças de comunicação.

Em contrapartida, é possível que micro e pequenas empresas consigam suprir suas necessidades com um manual bem mais simples e básico, pois não irão ter uma demanda comunicacional tão grande assim.

Ou seja, tudo vai depender das necessidades de cada empresa.

É possível afirmar ainda que em alguns casos nem seja necessária a criação de um manual de identidade visual.

Por exemplo, imagine um projeto de marca e comunicação visual específico para um evento de final de semana, onde uma agência foi contratada para criar e desenvolver todo o projeto.

Nesse caso, um manual de identidade visual só traria gastos desnecessários e provavelmente nem seria utilizado, uma vez que uma única agência desenvolveu todo o projeto, e que após o evento não terá mais utilidade.

Mas, independentemente disso, uma coisa é certa. Todo manual de identidade visual tem caráter informativo e por isso precisa apresentar as informações de maneira simples e direta.

Todas as normas, especificações e recomendações devem ser exemplificadas, de modo a não deixar dúvidas sobre a aplicação correta da marca.

Sendo assim, as páginas que apresentarem os exemplos de aplicação devem ter fundos neutros – de preferência na cor branca – para não comprometer a visualização das informações.

E por se tratar de um manual de identidade visual, ele mesmo deve seguir o padrão visual da marca, para reforçar o conceito que nele será apresentado.

O que deve conter um manual de identidade visual?

Como eu disse ali em cima, a extensão e complexidade de um manual de identidade visual vai depender das exigências de cada projeto, mas, mesmo assim, acredito que algumas informações sejam indispensáveis na sua construção de um manual, enquanto outros podem ser dispensáveis.

Portanto, tentei reunir os principais tópicos – aqueles que estão presentes na maioria dos manuais de marcas por aí – e agora vou explicar sobre cada um deles para você, com exemplos reais para facilitar o seu entendimento. Continue comigo!

Capa (indispensável)

A primeira página de um manual de identidade visual deve ser a capa, que deverá conter basicamente a marca e o nome do documento. Alguns manuais apresentam também a data de publicação ou da última atualização, como é o caso da capa do manual do SENAC, mostrada abaixo.

Introdução (opcional)

A introdução pode conter uma breve descrição sobre o a importância e os objetivos das informações que o manual de identidade visual irá apresentar, como mostra o exemplo abaixo retirado do Manual de Identidade Visual da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM).

Índice (dispensável em raras exceções)

Se o manual de identidade visual for pequeno e com poucas páginas, o índice pode até ser dispensado, mas, se o manual for extenso e com uma grande quantidade de páginas, é indispensável a presença de um índice para facilitar a localização das informações.

Índice do manual da marca OI.

Apresentação da empresa (opcional)

Este tópico pode conter uma ou mais páginas com informações sobre a trajetória da empresa, bem como sua missão, visão e valores, além de informações sobre seu público-alvo.

Estas informações podem ser importantes para situar o profissional que vier a utilizar o manual, fazendo com que ele entenda mais sobre o negócio, seu posicionamento no mercado, seus objetivos, e assim por diante.

Histórico da marca SENAC.

Apresentação e conceito da marca (importante)

Aqui deve ser apresentada a marca em sua versão principal e o conceito que sustenta a escolha de todos os elementos que a compõe, como o logotipo, o símbolo, as cores, a tipografia, e assim por diante.

Estas informações são importantes para fortalecer a concepção e o entendimento da marca, portanto, é relevante mostrar o briefing do projeto e todas as informações que foram cruciais para o insight que deu origem à solução visual encontrada.

Quer ter uma marca memorável? Então acesse o conteúdo abaixo e saiba tudo o que você precisa saber:
– Como criar uma marca memorável para a sua empresa

Conceituação e construção do símbolo do SENAC.

Assinaturas da marca (indispensável)

Normalmente uma marca, principalmente aquelas que são compostas por símbolo e logotipo, são previstas nos formatos vertical e horizontal, possibilitando uma certa versatilidade para a marca ao precisar ser aplicada em diferentes espaços.

Na versão vertical da marca, normalmente o símbolo é posicionado sobre o logotipo, sendo ideal para aplicações em espaços retangulares verticalmente, ou com proporções próximas a de um quadrado.

Já na versão horizontal, o símbolo normalmente é posicionado do lado esquerdo do logotipo, o que é ideal para aplicações em espaços com proporções retangulares horizontalmente.

Algumas marcas também possuem outras versões, como por exemplo, com e sem assinaturas descritivas, ou com e sem slogans – no caso das marcas se utilizam desses recursos.

Sendo assim, o manual de identidade visual também deve apresentar estas variações, além de enfatizar qual é a versão preferencial da marca.

Assinaturas da ANAC.

Se quiser saber mais sobre logotipos, dá uma olhada nesses conteúdos:
– Por que sua empresa precisa de um logo profissional?
– 5 princípios básicos do logotipo ideal para o seu negócio

Malha construtiva (importante)

Em alguns casos pode ser necessária a reprodução manual de uma marca, e a malha construtiva serve exatamente para ajudar nesse processo, pois funciona como um grid que orienta e facilita a construção da marca, mantendo as proporções corretas dos elementos que a compõe.

Malha construtiva da marca SENAC.

Área de proteção (indispensável)

Para proporcionar um maior destaque e preservar a total legibilidade da marca, deve ser definida uma área de proteção em volta dela, para quando ela precisar ser aplicada em meio a outras informações.

Portanto, este espaço não pode ser invadido por outros elementos, como textos, imagens ou outras marcas, de modo a evitar interferências que possam prejudicar a identificação e/ou compreensão da marca.

Área de proteção da marca FIAT.

Limite de redução (indispensável)

Em alguns casos a marca precisará ser reduzida para ser aplicada em pequenos espaços, e para que essa redução não prejudique a sua legibilidade, é preciso definir um limite de redução (em altura e/ou largura) para as possíveis versões da marca, tanto para o uso em impressos (milímetros), quanto para os meios digitais (pixels).

Sendo assim, deve ser evitada a sua aplicação com uma redução que ultrapasse esse limite, de modo a assegurar a legibilidade da marca.

Especificações sobre os limites de redução da marca SENAC.

Versões simplificadas (vai depender da marca)

Para marcas que contém efeitos de luz e sombra, ou degradês, e que não possam ser reproduzidos em determinados processos, ou então marcas com muitos e/ou pequenos detalhes que sejam difíceis de visualizar em tamanhos reduzidos, podem conter também versões simplificadas, com cores chapadas ou menos detalhes.

O manual da FIAT exemplifica bem a diferença entre a versão principal (fotográfica colorida) e a versão simplificada (chapada) da marca, como é possível ver no exemplo abaixo.

Padrão cromático (indispensável)

A cor é um dos principais elementos identificadores de uma marca, tornando fundamental que os padrões cromáticos sejam especificados e respeitados, de modo a manter o máximo impacto da marca.

Estes padrões devem ser especificados nas escalas Pantone, CMYK, RGB e/ou hexadecimal, e dependendo do caso, podem haver também especificações de cores para películas adesivas, tintas automotivas, entre outras, como é o caso da marca SAMU, mostrada abaixo.

Além das cores principais, é possível definir algumas variações tonais, além de cores complementares ou secundárias que também poderão ser utilizadas na identidade visual da marca.

Paletas de cores principais e secundárias da ANAC, ambas com suas variações tonais.

Versões monocromáticas (indispensável)

Em algumas situações, como veremos mais adiante, a marca não poderá ser aplicada em sua versão principal (colorida) sobre determinados fundos.

Por isso, devem ser previstas algumas aplicações da marca em apenas uma cor, seja em uma das cores institucionais, em tons de cinza, ou nas versões em preto e negativo.

Versões da marca SENAC em preto (positivo) e negativo.

Aplicação sobre diferentes fundos (importante)

Outro ponto importante, é definir como será a aplicação da marca sobre fundos coloridos e imagens, de modo a garantir o melhor contraste entre a marca e o fundo em que ela será aplicada.

Para isso, devem ser estabelecidas algumas regras sobre qual versão da marca (colorida, simplificada, monocromática, etc.) é mais adequada para se utilizar nestes fundos, e como aplicá-la.

Isso evita possíveis problemas de contraste que possam prejudicar a visualização e legibilidade da marca.

Exemplos de aplicação da marca FIAT sobre fundos coloridos.

Por isso é importante a marca possuir – fora a versão principal colorida – pelo menos as versões em preto e negativo, pois se o fundo não proporcionar um bom contraste com a versão principal da marca, provavelmente será necessário utilizar uma das suas versões monocromáticas, como mostram abaixo os exemplos da marca SENAC.

Algumas empresas só permitem a aplicação de suas marcas sobre determinados fundos se elas forem aplicadas juntamente com um box branco do tamanho da sua área de proteção, ou sobre uma tarja branca, evitando que a imagem de fundo prejudique a visualização da marca.

Exemplos de aplicação da marca UFVJM sobre fundos coloridos e imagens.

Exemplos de aplicação da marca SAMU com a utilização de uma tarja branca sobre ela.

Tipografia padrão (indispensável)

Para compor a identidade visual de maneira harmônica, coerente e uniforme, deve ser definida e apresentada no manual uma tipografia padrão, a qual deverá ser utilizada nos textos presentes na comunicação visual da marca, seja ela impressa ou digital.

Normalmente as marcas se utilizam de uma mesma família tipográfica que possua algumas variações, como Negrito e Itálico, mas também é possível se utilizar de tipografias diferentes, como uma para títulos e subtítulos, e outra para textos corridos, por exemplo.

Inclusive algumas marcas determinam qual variação da fonte deve ser utilizada para textos corridos, títulos, subtítulos, legendas, notas, etc., podendo indicar também o tamanho ideal e o mínimo para a fonte ser utilizada.

Família tipográfica utilizada pela ANAC e suas devidas aplicações.

Pode-se também determinar tipografias alternativas – que normalmente são mais acessíveis e comuns na maioria dos computadores – tanto para a comunicação diária, quanto para a utilização no site institucional.

Famílias tipográficas alternativas da marca SENAC.

Elementos adicionais (vai depender da marca)

Caso existam outros elementos adicionais utilizados para reforçar a identidade visual da marca, como texturas, padronagens, ícones, entre outros, eles também poderão ter suas aplicações especificadas no manual de identidade visual, como mostram os exemplos abaixo.

Especificação dos ícones da marca OI.

Padronagem da marca SENAC.

Usos incorretos (importante)

Este é um dos pontos mais importantes de um manual de identidade visual, pois apresenta algumas proibições com base nos erros de aplicação mais comuns de acontecerem, e que acabam descaracterizando as marcas, como distorções, aplicações de efeitos de luz e sombra, alterações dos elementos, entre outros.

Sendo assim, para preservar todas as características e garantir a integridade total de uma marca ao ser aplicada, devem ser respeitadas todas as especificações de cores, formas e proporções previstas no manual de identidade visual, estando proibidas quaisquer modificações dos elementos que a compõe.

Exemplos de usos incorretos da marca SENAC.

Aplicações da marca (importante em muitos casos)

A partir daqui o manual de identidade visual pode trazer normas, especificações e recomendações para a aplicação da marca em determinadas peças de comunicação visual que serão muito utilizadas pela empresa, a fim de facilitar e agilizar o processo de produção destas peças e garantir a uniformidade visual.

Confira abaixo alguns exemplos de aplicações:

– Itens de papelaria;
Layout de envelope saco da UFVJM.

– Uniformes;
Modelo de aplicação da marca em uniformes do SAMU.

– Placas de sinalização;
Modelo de placa bandeira do SAMU.

– Plotagem de veículos;
Layout para plotagem de unidade móvel do SAMU.

– Peças promocionais;
Exemplos de aplicação da marca OI em peças promocionais.

– Brindes;
Exemplos de aplicação da marca OI em brindes.

Não podemos esquecer também dos meios digitais, que englobam sites institucionais, perfis nas redes sociais, e-mails marketing, e-books, assinaturas de e-mails, entre outros, ou seja, todas as mídias que possam veicular os elementos de uma marca.

Layout de assinatura de e-mail da ANAC.

Se você estiver pensando em criar uma presença digital sólida para o seu negócio, aconselho também a leitura destes conteúdos:
– O verdadeiro papel de um site institucional competitivo nos dias de hoje
– Como criar um site competitivo para o seu negócio
– Quanto custa um site empresarial? 6 dicas para não entrar numa furada!
– 5 vantagens em terceirizar a gestão de redes sociais da sua empresa

As aplicações podem conter normas, especificações e recomendações sobre cores, fontes tipográficas, margens, espaçamentos, alinhamentos, dimensões, formatos, tipos de materiais, e tudo o que for necessário para a elaboração dos itens de comunicação visual.

Layout de cartões de visitas da UFVJM, onde especifica a fonte tipográfica, as margens, o alinhamento, o formato do cartão e o tipo de material.

Arquivos (opcional)

Não é muito comum, mas alguns manuais trazem também uma página explicando sobre os arquivos da marca que são entregues com ele, e quais as melhores aplicações para cada formato, como mostra o exemplo abaixo, retirado do manual de identidade visual da ANAC.

Contato (importante)

É importante que todo manual de identidade visual contenha também uma página com o contato da agência ou do designer que desenvolveu a marca e o manual, ou então com o setor responsável pela comunicação da empresa, para que seja possível esclarecer dúvidas que ainda possam existir acerca da aplicação da marca.

Portanto, pelo menos algumas informações como telefones e e-mails devem estar contidas em algum lugar do manual, a exemplo da página 2 do manual da UFVJM, como é mostrado abaixo.

Entrega do manual de identidade visual

Após ser finalizado, normalmente o manual de identidade visual é entregue em PDF junto com todos os arquivos da marca em suas diversas versões (verticais, horizontais, simplificadas, coloridas, monocromáticas, etc.) e em diferentes formatos (AI, CDR, JPG, PNG, etc.).

Na maioria dos casos a versão em PDF já basta, mas caso seja necessário, o manual também pode ser entregue impresso, em uma ou mais cópias, e o custo disso também deve ser levado em conta.

É bom que se diga também, que não é porque o manual de identidade visual foi entregue, que ele não possa mais ser alterado. Algumas empresas atualizam seus manuais de tempos em tempos, seja para fazer alguns ajustes, ou mesmo para incluir novas aplicações que se fizeram necessárias com o tempo.

Como usar o manual de identidade visual

O manual da marca garante que qualquer profissional ou empresa – seja um designer, uma agência ou uma gráfica – saiba aplicar a sua marca da maneira mais adequada para cada situação, preservando assim suas principais características e garantindo a melhor apresentação possível.

Mas para isso, não basta apenas possuir um manual de identidade visual, é preciso utilizá-lo.

Portanto, é imprescindível enviá-lo junto com os arquivos da marca, sempre que ela precisar ser aplicada por seus parceiros e fornecedores, e a partir daí, caberá a eles respeitá-lo para a correta utilização da sua marca.

Considerações Finais

Como pudemos perceber ao longo deste artigo, a criação de um manual de identidade visual não pode ser tratado como algo secundário, pois além de um processo trabalhoso que visa garantir a integridade da marca ao precisar ser aplicada em diferentes situações, ele também transmite profissionalismo e seriedade a todos os envolvidos com o negócio.

Portanto, se você leva a sério o seu negócio e acredita na sua marca, não deixe de investir em um manual de identidade visual.

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Te desejo boa sorte nos negócios e até o próximo artigo!

Confira por completo todos os manuais utilizados como exemplos neste artigo
– Manual da ANAC
– Manual da FIAT
– Manual da OI
– Manual do SAMU 192
– Manual do SENAC
– Manual da UFVJM

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